Menino d'oiro no ventre,
Que do berço aspira à cama.
E na vida a vida entre,
Emanando o fulgor de uma chama,
Cujo tempo desvanece,
Assassino diário da esperança,
E corrói, e dilui, e padece
O imaculado riso d'uma criança.
E o pequeno pronto a medrar,
Conhece as sublimes cousas da Vida,
Formosas mulheres hão-de entrar,
Roubando-lhe a blandície outrora vivida
E arremedar-lhe-ão uma impetuosa alegria,
Enlaçando o seu legado, no final ignoto,
Imbuindo de caos e harmonia
O antes tão brindado poto.
Deixando-o prostrado no caixão,
Roendo-o dos pés ao pescoço,
Bichos e Homens numa eterna união,
Não poupando o mais frívolo osso.
[Quem me dera estar bêbado]
Há 10 anos