Sempre que solto um verso espargido,
Com meus olhos garços ou minha etérea voz,
É uma melopeia declamada a sós,
Para ti, guardada num verso fingido,
- Ténue mentira que afaga o sentido
Verdadeiro, diluindo a distância entre nós -
E percorre vales e montanhas veloz,
Sem saberes que traz o Amor contido.
Mas sempre que se solta no ar
Esbate-se e morre uma vez mais
Como um sintético perfume desfeito,
Ficando um implícito cântico pairar,
Bradando, suspenso como outros tais,
Que eu canto-te, a ti, em todo meu peito!
[Quem me dera estar bêbado]
Há 10 anos
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