terça-feira, 30 de junho de 2009

No Purgatório

Numa noite fria como esta,
Encontrei-me enquanto me perdia,
Imbuido numa dor que ainda me infesta,
E todo meu corpo tremia.

Uma dor que corroi as veias do meu sangue
Que quente, gela e padece,
Com maneiras negras me langue,
Vocifera e não desaparece.

Olhei, e uns amavam-se entre o fogo,
Outros em sangue carregavam uma cruz,
Rogando num martírio que os deixassem, mas logo
Ignorados e abandonados, ermos e nus.

E perante todo aquele sofrimento,
Preparava-me para me alevantar,
Mas caí, tórpido e desalento,
Esfolando os joelhos, e comecei a chorar...

E enquanto as minhas lágrimas escorriam
Sulfúricas, a minha dor sobejava,
E por onde passavam, estas ardiam
Um coração desmoronado que sangrava.

Então, levantei-me, abri os braços, as mãos e os olhos
Vermelhos de um choro sem desculpa,
E defrontando os mais esfíngicos escolhos
Expiei, assim, a minha culpa.

Sem comentários: