Na Cidade as máquinas rolam
E sobejam as pessoas,
E intoxicam, e esfolam,
E rasgam o ar com deletérios vapores,
- Brumas ébrias cinzentas -
Deixando um rasto de horrores
E as ruas petilentas...
O altivo e infernal estrépito
Dessa galáxia de máquinas,
Mergulha no meu tímpano,
E rompe-o! E rasga-o!
E teima em cercar-me
Num virulento toar
De um fragor!
Ah as máquinas!
Esburacam e trepidam a Terra!
E esta vai chorando compulsivamente de raiva abstracta
Contra multidões polifónicas!
Numa outra guerra...
Numa outra parte...
Que a Terra chora o Mar
E o Mar chora a Terra!
E eu choro também...
Ó Pai! Ó Mãe!
Derramem o furor da cidade sobre mim,
Queimem-me frenéticos ópios
E chuvas de ácidos!
Ah, levem-me, levem-me!
Soltem-me das garras da cidade
E que eu possa fruir só
Da Morte, em soledade!
[Quem me dera estar bêbado]
Há 10 anos
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